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17 de abril de 2008

A cartomante

Piores que lendas urbanas, são as cartomantes!

Andando pelo centro, num finalzinho de tarde ensolarada, acompanhado com um amigo:

- Cara, daqui uns diasse faz vinte e dois anos de idade, não?
- Então, fico imaginando como será o Abc do futuro.
- Igualzinho ao de hoje! Com a mesma cara de tapado!
- Pois é, se tivesse uma maneira de descobrir, seria interessante.

Eis que passamos em frente de uma enorme placa, do lado de uma padaria, escrito assim: "Madame Sophia, sabe de tudo: antes, durante e depois. Venha descobrir seu futuro.". Meu amigo exautado:

- Ou está pensando o mesmo que eu?
- Sim, sim! Estou!
- Então vamos?
- Vamos! O meu vai ser um pão de queijo recheado e leite com toddy!
- Que mané comida! Eu estava pensando em ir na madame.
- Ah! Deixa isso pra la - eu já entrando na padaria - estou com fome.
- Necas de pitibiriba - me puxando de volta - vamos entrar.

Tudo era escuro, tinha fumaça de insenso pra todos os lados. Em um canto tinha uma mulher, com uma bola de cristal. Ok, sei que é meio clichê, mas o conto é meu. Imagina a Roberta Miranda encarnada numa pomba gira. Era a Madame Sophia.

- Olá, queríamos...
- Silêncio - ela brandou - tenho notícias de um rapaz chamado Guilherme...
- Guilherme, Guilherme... quem será que é? Esse nome é tão familiar...
- Ô cabeção! É você, Abc!
- Pô, é mesmo...
- Bom, continuando, trago notícias futuras para você, criança. Vejo que é um bom ser humano, contudo haverá maldade rondando em sua volta. Algo de podre que vai culpá-lo, ou seja, hoje, até a meia noite, serás incriminado de algo que não cometeste!

CABRUUUMMMMM!!!!! (raios e trovões)

- Kakuakuaaukaukauuakuakuak - eu e meu amigo.
- Se viu isso? Tem até efeito especial!
- Te falei que tudo isso é farsa.
- Podem achar o que quiserem - ela interrompendo nosso deleito -, mas até a meia noite de hoje você será incriminado e pagará as conseqüências!

CABRUUUMMMM!!!!! (mais raios e trovões)

- São cinco reais, e aqui está meu cartão do site na web.

Saindo da consulta, eu ressaltei:

- Ou e se eu for preso cara? Esse lance de ser incriminado está me deixando nervoso. Será que va acontecer?
- Você fazer alguma maldade? Só se matar alguém sem querer!

CABRUUUUMMM!!!!! (outros raios e trovões)

- Daonde está vindo todos esses raios?
- Ah! Velho eu não quero ser preso!!!
- Calma Abc, se não vai matar ninguém não. Vamos lá na padaria, não estava com fome?
- Ok!

Entramos na padaria. Eu pedi meu pão de queijo recheado e leite com toddy. Meu amigo pediu três pedaços de bolo. Sentou ao nosso lado um senhor de idade, que me pediu o molho de pimenta educamente. Eu peguei e entreguei. O senhor pôs no lanche e deu uma mordida. De repente o cara começou a sacudir de um lado e pro outro, se jogou no chão e começou a rolar pra lá e pra cá e ficou imóvel no chão.

E eu olhando aquilo.

- Pronto, fudeu tudo. O cara é alérgico a pimenta! E agora Abc?
- ...
- Abc? Abc?! Ou... Abc?
- ... e-e-eu... eu... ma-ma-te-e-ei... eu matei o cara!!!

Estava me preparando para desmaiar quando o cara levanta num pulo só, vem em minha direção, sorri e fala:

- Essa é a pegadinha do Malandro! Parabéns por ter participado, olha para aquela câmera escondida!

Pela primeira vez senti a vontade de matar alguém.

***

Dentro do ônibus:

- É Abc, é quase meia noite e você não matou ninguém. Ou seja, a profecia é mentira. Você não foi acusado de nenhum crime.
- Pois é, só que esse dia foi muito esquisito. Teve o cara da pegadinha, a mobilete atropelando um carrinho de cachorro-quente, a velhinha suícida...
- Correr com uma tesoura não é legal né?
- Ainda bem que velhinos correm na velocidade máxima de uma tartaruga.
- Então, fora que você derrubou o rapaz da esteira.
- Não fui eu, e outra, ele caiu em cima de mim. Quase que eu morri!
- É verdade, eu rachei o bico.
- Porque não foi com você. Experimenta deixar um poste cair em cima de você.

***

- Nossa cara, aqueles pedaços de bolo não me fizeram bem.
- Também, não consegue viver longe de doces.
- Vou aliviar a pressão.

Interrompemos nossa leitura para um momento de censura para o fatídico fato. Que, de fato mesmo, foi alto e fedido.

- Puta que pariu - gritou um lá atrás.
- Pelo amor de deus, há crianças neste ônibus - gritou uma mãe.
- Joguem esse japônes fora do ônibus, ele está podre.
- Mas perái! Fui eu não! Como vocês me acusam de algo que não fui eu?

CABRUUUMMMMMM!!!!!!! (raios e trovões)

Após um breve silêncio de reflexão - pois porque teriam raios e trovões num céu estrelado - puseram a mim pra fora do ônibus. Maldita profecia.

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Um comentário:

Pablo Lopes disse...

Lembro desse conto, eu o li no seu blog...muito boa a historia.


Abraços.